Como preparar o peito para amamentar: o que a ciência explica sobre a produção de leite
- Andrea Cavalli

- há 3 dias
- 4 min de leitura
Se você pesquisou 'como preparar o peito para amamentar' ou já teve medo de ter pouco leite materno depois que o bebê nascer, respira. Essa dúvida é praticamente universal - nunca atendi uma gestante ou já amamentante que não teve essa dúvida.

Entender o que está acontecendo por dentro ajuda a trocar a ansiedade por confiança.
Deixa eu te contar porque eu tenho [quase] certeza que tu vais ter leite suficiente.
O teu corpo começou a se preparar para a amamentação já antes de engravidar, com mudanças ao longo da vida, e sofreu uma espécie de upgrade durante a gestação.
Muito desse medo vem do excesso de informação na internet, muitas imagens de mulheres tirando potes e mais potes de leite para congelar, ou mesmo algumas que acham que tem baixa produção, por falta de informação ou de um apoio profissional adequado.
Olha só, as tuas glândulas mamárias estão evoluindo desde que tu estavas na barriga da tua mãe. Lá na diferenciação sexual do feto, o teu corpo se programou para que as glândulas que ficam no tórax futuramente fossem produtoras de leite. Por isso nossas mamas mudam conforme o ciclo reprodutivo, e ficam sensíveis no período pré-menstrual. Inclusive essa sensibilidade é o primeiro sintoma de gravidez para muitas mulheres.
Quando engravidamos, o corpo evolui mais uma vez. Agora para produzir leite, tem um processo em 3 etapas - se chama lactogênese.
A 1ª etapa acontece ainda na gestação, Lactogênese I: os hormônios da gestação modificam as mamas enquanto promovem no útero um local adequado para o bebê .
O estrogênio estimula a ramificação dos ductos lactíferos, e a progesterona ajuda a formar os lóbulos onde o leite será produzido.
É nessa fase que muitas mulheres começam a produzir pequenas quantidades de colostro, o primeiro leite, rico em anticorpos. Nem sempre a gente percebe esse colostro. Às vezes nem vaza, ou até pinga, mas seca e fica um crostinha no mamilo. Em torno de 16 semanas o corpo está apto a produzir, mas segura essa função até o nascimento. Ao nascer, o bebê terá colostro à disposição.

A Lactogênese II: depois que o bebê nasce e a placenta sai, os níveis de progesterona despencam e a prolactina — o hormônio que comanda a produção de leite — assume o protagonismo. Essa virada costuma acontecer de 24 até 72 horas após o parto, podendo levar um pouco mais em cesáreas. Ou seja, logo no início a mãe tem a primeira fase do leite, o colostro. É importantíssimo, tanto para nutrição como proteção. Ele vem em gotinhas, no volume ideal que o recém-nascido consegue digerir e absorver.
Aos poucos o leite começa a mudar e vir em maior volume. Acontece a apojadura, a descida do leite. As mamas parecem aumentar de uma hora para a outra, e isso vem acompanhado de fisgadas (ou pequenos choques como algumas relatam), mamas cheias, quentes, e pode gerar desconforto. Conforme acontecem as mamadas e ordenhas de alívio, essa sensação e excesso de leite vão se regularizando.

Lactogênese III: é o ajuste da produção de leite. Aqui a produção vai depender do quanto o bebê mama, ou quanto leite é extraído, deixa de ser uma resposta hormonal ao nascimento. Ou seja, a produção responde à demanda: quanto mais o bebê mama (com uma pega e sucção eficientes), mais leite a mãe produz.
Mas você certamente já ouviu ou leu muitos relatos de mulheres que tinham pouco leite.
A fala delas precisa ser acolhida e validada, mas a gestante precisa saber que, na maioria das vezes é apenas uma sensação, seja pelo comportamento do bebê, falta de informcaão ou palpite de família ou amigos.
Como preparar o peito para amamentar, na prática?
A boa notícia é que a ciência já derrubou vários mitos sobre 'preparar o corpo' para amamentar:
● Você não precisa esfregar os mamilos com bucha, toalha ou escova — e nem deve. Isso só machuca a pele e não muda em nada a produção e aumenta risco de lesões e infecções.
● Cremes, pomadas e conchinhas de silicone não têm eficácia comprovada para 'preparar' o mamilo.
● Estimular ou friccionar os mamilos na gravidez não é recomendado.

O que realmente vale a pena fazer antes do parto é se informar sobre pega e posicionamento, entender a succão, os cuidados com a mama e reconhecer os sinais do bebê.
O corpo, em geral, não precisa de ajuda para produzir leite — a natureza mamífera já o prepara para isso, exceto raras exceções (e ate isso e importante saber).
É o que você aprende que faz toda a diferença, é informação segura e a técnica: a pega, a posição, como saber se a amamentação está indo bem, e o que fazer quando parece que algo não vai bem. É exatamente aí que a maioria das mães mais precisa de apoio.
No dia 15 de agosto, dia da gestante, tem curso para grávidas e famílias, onde vamos ensinar amamentação passo a passo, além de sono e cuidados com o bebê, inclusive emergências. É um evento online ao vivo com 03 especialistas, com acesso a material e gravações depois.
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Andrea Cavalli | IBCLC | Desde 2008
Enfermeira pós-graduada em Aleitamento Materno Saúde Materno-infantil


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